Revisão de luzes: tão importante para a segurança quanto a dos freios
mar 10, 2019

Por: Fernando Landulfo
Quando se fala em segurança veicular, os primeiros sistemas que geralmente vem em mente são: freios, direção e suspensão. Não é verdade?

Mas isso é muito natural. Afinal de contas eles são diretamente responsáveis pela dirigibilidade do veículo.

No entanto, é preciso ter em mente que os veículos automotivos são formados pela união de diversos sistemas que operam em conjunto

Logo, para se garantir o maior grau de segurança possível, todos precisam estar funcionando corretamente. Entre eles estão o sistema de iluminação e sinalização.

O sistema sinalização é composto basicamente pelas luzes que exibem a localização do veículo, assim como, as manobras que se encontram em execução ou a serem brevemente executadas. Em outras palavras: a sua importância para a condução segura do veículo é indiscutível. Afinal de contas, tanto de dia como de noite, o veículo precisa ter a sua posição claramente demarcada, assim como, sinalizadas as manobras que o seu condutor vai realizar ou está realizando (movimento a ré, mudanças de faixa, etc.).

Esse importante sistema é composto pelas lanternas dianteiras e traseiras, lanternas elevadas e laterais (veículos comerciais e de passageiros), luzes indicadoras de direção (setas) e luzes de ré

Já o sistema de iluminação é formado pelos faróis (principais e auxiliares), luz de iluminação da placa traseira, luzes internas (teto, cortesia das portas, leitura, porta luvas, painel de instrumentos, interruptores e controles.

No que diz respeito a iluminação da placa traseira, trata-se de uma questão legal. Não há o que discutir ou argumentar: tem que funcionar.

Os faróis é outro item que não dá margens a discussão: além da questão legal (o não funcionamento gera uma bela de uma multa), não dá para dirigir a noite sem eles: tem que funcionar.

Já a iluminação interna pode ocasionar uma certa polêmica. E a razão é simples: muitos (clientes e mecânicos) a tratam como supérfluo. Só que não é

A iluminação de teto é imprescindível durante as blitz, fiscalizações policiais (deve-se desligar os faróis e acender as luzes de teto). Também ajuda muito na localização de objetos no interior do veículo, o que diminui o tempo de parada em locais menos seguros.

A iluminação do painel é necessária para o controle da velocidade, item diretamente ligado a segurança da condução, além de permitir o monitoramento das condições de funcionamento do veículo.

Instrumentos com falha na iluminação, podem tirar a atenção do condutor da via, forçando-o a olhar para o painel mais tempo do que o necessário. O mesmo pode ser dito com relação a iluminação dos dispositivos de controle (chaves, interruptores, etc.). Já os painéis muito iluminados (fora do padrão original), podem ofuscar a vista do condutor ou desviar a sua atenção.

Por sua vez, as luzes de cortesia das portas podem evitar uma colisão com as mesmas, quando abertas no meio fio. Já as luzes de leitura facilitam a localização de documentos, durante uma blitz policial ou dinheiro nos postos de pedágio.

Ou seja, incontáveis são os acidentes (colisão lateral, colisão traseira, atropelamento de motocicletas, colisão e atropelamentos durante a marcha ré, assaltos, etc.) podem ser evitados quando as luzes funcionam corretamente.

E vamos dar uma ênfase na expressão: corretamente! Ela deve ser entendida como sinônimo de: total e plenamente.

Por muitas vezes, o trabalho de reparar esses sistemas não é fácil de se realizar. Na maioria dos casos, a dificuldade não é provocada por razões técnicas, pois o sistema de sinalização é relativamente simples e formado por componentes já bastante conhecidos do Guerreiro das Oficinas. Mesmo nos modernos veículos equipados com redes de comunicação. Isso já não é nenhuma novidade. A maioria dos casos ocorre por problemas de ordem econômica.

Sim, o preço de determinadas peças, como: lâmpadas xênon e seus reatores, conjuntos de interruptores, chaves de seta, lanternas traseiras, espelhos retrovisores equipados com repetidor de luz de seta, repetidores de luz de seta de para-lama, brakelights embutidos, luz de neblina traseira embutidas nos para-choques e conjuntos óticos dianteiros, principalmente de veículos importados, assustam qualquer um.

E se a saúde do bolso do cliente não vai bem, muito provavelmente ele irá recusar a substituição.

Se o problema é apenas a lâmpada, LED, ou mesmo, um soquete com mal contato: tudo bem! É relativamente fácil e barato consertar. No entanto, é preciso relembrar que os faróis xênon além de caros trabalham com tensões muito elevadas.

O problema é quando o componente está totalmente destruído (fruto de uma colisão), ou não é possível, ou fácil, desmontá-lo para substituir os LEDs queimados (brakelights) ou eliminar uma folga um mal contato no mecanismo interno (interruptores e chaves de seta).

É nessa hora que o mecânico precisa usar as suas “habilidades especiais” (técnicas e de negociador).

Soluções para todos esses problemas existem. Por exemplo: recuperar (ele mesmo ou um terceiro) a lanterna, chave de seta ou conjunto interruptor quebrados, importar diretamente uma peça original ou alternativa de qualidade, a um preço mais acessível, ou mesmo, permitir que o cliente procure, compre e forneça a peça.

O que é preciso tomar muito cuidado é na hora de considerar a adoção de adaptações. Ou seja: tirar o veículo da sua condição original. Principalmente se no caso dos faróis principais, pois o formato da lâmpada influencia no formato do feixe de luz emitido (o refletor interno e a lente são projetados para um determinado formato de lâmpada. Isso sem falar na potência e na temperatura (cor) da luz emitida:

a) Potência demais: derrete a instalação.
b) Cor fora da regulamentação: multa.
c) Formato de lâmpada diferente do original: deformação do feixe luminoso.

Qual solução adotar? Bem, não existe solução geral. Cada caso é um caso. O importante é mostrar para o cliente a importância da revisão de luzes, não deixando ele na mão. Ou seja, ter opções para atendê-lo. Mas deixar bem claro que a responsabilidade por soluções alternativas é dele. E isso tem que ser devidamente documentado. Mas para que isso funcione, sem muita dor de cabeça, o Guerreiro das Oficinas precisa formar uma rede de parcerias com gente idônea a profissional: que forneça garantia, nota fiscal, suporte técnico e assuma os erros que por ventura
ocorrerem.

É fácil? Claro que não! Mas quem foi que disse que ser mecânico é para qualquer um?

Fonte: O Mecânico